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22/03/2017 - Bocejar pode revelar mais sobre a personalidade do que sobre o grau de cansaço ou tédio

Faça o seguinte teste com a pessoa sentada logo ao seu lado: solte um longo bocejo. Cubra a boca por educação e espere para ver o quão contagiante será. A repetição da sua ação pelo outro sugere que sua companhia é uma pessoa bastante empática, ou que tem uma boa dose de empatia em relação a você. De acordo com o estudo da universidade de Pisa, na Itália, o grau de contágio do bocejo está intimamente ligado à empatia, ou seja, a capacidade de reconhecer e compartilhar as emoções que a outra pessoa sente. O estudo destaca o fato dos bebês, por exemplo, não bocejarem por verem outros fazendo e explica que o bocejo só começa a ser contagiante a partir de quatro ou cinco anos, quase ao mesmo tempo que a empatia. O mesmo acontece com as pessoas com autismo, condição associada a níveis mais baixos de empatia, também são menos propensos a serem contagiados. Quanto mais perto você está de alguém, maior é a probabilidade do bocejo ser transmitido. Mas o grau de contágio tende a ser mais alto quando estamos com a famíla, mais baixo com os amigos, mais baixo ainda com conhecidos e muito mais baixo com estranhos, segundo o estudo. Mas calma, o fato de bocejar ser contagioso não quer dizer que seja uma doença. O estudo apenas reafirma a ligação direta com a empatia, normalmente entre pessoas que compartilham algum vínculo emocional. Mas por que bocejamos? Um mal entendido comum sobre bocejar é a ideia de que fazemos isso quando precisamos de mais ar, quando na verdade acontece como uma espécie de sistema refrigerador para o cérebro, que tende a ter temperatura mais elevada quando estamos cansados, de acordo com pesquisa da Universidade de Albany. Imagine que seu cérebro é um computador que funciona melhor em temperaturas específicas. Bocejar vai trazer mais ar pelos ouvidos e boca, esfriando assim a temperatura do sangue facial e baixando também a temperatura cerebral, segundo a pesquisa. Estudos também mostram que bocejar regula a pressão sanguínea, estica os músculos faciais e aumenta o foco. E quando espreguiçamos ao mesmo tempo, alongamos todos os músculos e os tornamos prontos para serem usados a qualquer momento. No mundo animal, o ato de bocejar segue padrões parecidos com o de humanos, embora cada espécie faça por objetivos diferentes. Um rebanho de presas, por exemplo, boceja junto para ficar alerta junto. Quando o primeiro animal bocejar, fará com que os outros animais fiquem alertas. Já os pinguins, bocejam para encontrar parceiros. Para humanos, a duração média de um bocejo é de cerca de 6 segundos e o contágio não necessariamente acontece com contato visual. Pesquisadores indicam que apenas ouvir, ler, ou mesmo pensar sobre, pode desencadear a ação. Então é provável que pelo menos um bocejo tenha sido inevitável durante esta leitura.